Joaquim Raposo discursa nas Jornadas Parlamentares
No âmbito das Jornadas Parlamentares a decorrerem nos dias 5 e 6 de Julho, o Presidente do PS FAUL, JOaquim Raposo, proferiu a intervenção que se transcreve.
Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares
Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista
Senhoras e Senhores Deputados
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Ilustres convidados,
Em boa hora o Grupo Parlamentar do PS teve a visão de realizar as suas Jornadas Parlamentares em Lisboa, no coração da Área Metropolitana de Lisboa, sob o tema “O socialismo democrático e a crise económica e social”.
Foi Lisboa de que partimos para descobrir novos mundos;
Foi em Loures e depois em Lisboa que consagrámos a República, cujo centenário comemoramos em 2010;
Foi em Lisboa que derrubámos um regime fascista e restituímos a Liberdade ao Povo Português;
Foi em Lisboa que Mário Soares assinou a adesão de Portugal ao projecto europeu;
Foi em Lisboa que o Governo do PS, conseguiu fazer aprovar um Tratado Europeu fundamental para a construção europeia.
Lisboa inspirou-nos sempre para grandes desafios.
Em nome da Federação da Área Urbana de Lisboa desejo-vos uma reflexão frutuosa sobre os caminhos e os contributos que o Socialismo Democrático, que o nosso PS, podem e devem dar para superarmos a crise económica e social que fustiga Portugal e os Portugueses.
Permitam-me que sublinhe o referencial de estabilidade e de coesão em que o Grupo Parlamentar se tem constituído no combate político, na afirmação das propostas necessárias ao nosso tempo e na tentativa de construir caminhos para superarmos as dificuldades.
Um exemplo de sustentação responsável das políticas do Governo do PS que saúdo e sublinho.
É nos momentos difíceis que se vê a fibra dos socialistas em defenderem o seu património político, os seus valores e princípios, e em perspectivarem o futuro.
O País precisa de estabilidade, de coragem e de coesão na sustentabilidade de um ciclo político que deve ser concluído em 2013.
A Área Urbana de Lisboa, esta grande metrópole, é um território complexo, com realidades muito diferentes e com fortes contradições.
Num mesmo espaço temos uma fortíssima pressão urbana e uma elevada concentração humana que coabitam com fenómenos de solidão, de isolamento e de exclusão.
Num mesmo território existem realidades urbanas e áreas rurais.
E ao mesmo tempo, por acção dos Municípios geridos por socialistas e pelas políticas do Governo PS, conseguimos transformar alguns dos problemas em oportunidades de conhecimento, de formação profissional e de integração social.
Essa acção conjunta, em nome de uma sociedade melhor e de cidadãos melhores preparados permitiu-nos qualificar o espaço público, apostar na escola pública, apurar uma rede social com respostas adequadas para os jovens, as famílias e os idosos, incentivar as competências e as capacidades criativas existentes e promover a igualdade de oportunidades em comunidades com uma enorme riqueza e diversidade cultural.
E fizemo-lo, sempre num contexto de exigência e de dificuldade, mas com um profundo sentido humanista.
A Área Metropolitana de Lisboa regista a maior concentração populacional e económica de Portugal.
Nos seus dezoito concelhos, que constituem 3,3% do território nacional, residem quase 3 milhões de habitantes, cerca de ¼ da população portuguesa.
Ao nível económico concentra cerca de 25% da população activa, 30% das empresas nacionais, 33% do emprego e contribui com mais de 36% do PIB nacional.
É uma enorme força positiva que importa potenciar para sairmos da crise.
É uma reserva estratégica decisiva para a afirmação internacional de um território regional e do País.
É um território que, pelos desafios e pela complexidade das realidades, exige uma organização própria, com poder para impor e afirmar uma visão regional, com força política para ter uma palavra nas opções de investimento público em coerência com as capacidades existentes e com margem de acção para canalizar o melhor dos cidadãos, das empresas e das instituições da área metropolitana em benefício de Portugal.
A actual crise económica e as suas consequências sociais determinam redobrados sacrifícios, novas abordagens aos problemas e às soluções e por ventura novos quadros mentais.
Como sempre, os Socialistas da Área Urbana de Lisboa dirão presente.
Nas freguesias e municípios onde o PS é poder autárquico, como naquelas onde ainda não o somos, tudo faremos para que, com o património de uma história de luta pela Democracia, pelo Desenvolvimento e por uma sociedade mais justa, encontremos as respostas adequadas aos problemas, às necessidades e aos sonhos dos nossos cidadãos.
Afinal, tudo faremos para manter as marcas de qualificação, de solidariedade, de identidade, de criatividade e de combate à pobreza e à exclusão que caracteriza a acção dos socialistas neste território.
Certamente que este tempo exigirá que façamos o mesmo ou mais ainda com menos recursos humanos e materiais.
Que façamos mais iniciativas em rede ou através da partilha de meios.
Certamente que exigirá de nós um esforço de pedagogia junto dos cidadãos para os novos paradigmas da organização e das disponibilidades financeiras para as respostas que queremos construir.
Mas nada nos impedirá de consolidar, a pulso, as marcas da gestão autárquica do PS na Amadora, na Azambuja, em Lisboa, em Loures, em Odivelas e em Vila Franca de Xira;
a afirmar um pensamento político para a área metropolitana de Lisboa;
a tudo fazer para enfrentar com êxito o desafio político das eleições presidenciais e a cerrar fileiras na defesa do nosso projecto político e da estabilidade do actual ciclo político.
Sei que podemos contar convosco,
podem contar com a FAUL.
Joaquim Raposo