4 Perguntas a Rui Pereira, Presidente da Concelhia do PS Sintra
Porque é que os socialistas renunciaram a manter os pelouros na vereação da Câmara Municipal de Sintra?
Os quatro vereadores do PS renunciaram aos pelouros que estavam sob a sua responsabilidade, porque consideraram que a coligação Seara, PSD, PP e PCP deixou de respeitar e garantir as condições mínimas indispensáveis para que o Partido Socialista exercesse com dignidade, de forma responsável, sem coacção e em plena liberdade de acção e decisão, a gestão dos serviços municipais que lhes tinham sido delegados.
A discussão sobre a tarifa dos SMAS sobre a quota de disponibilidade da água foi a gota que fez transbordar o copo?
Não. Mas é verdade que a aplicação dessa tarifa, constitui um motivo de preocupação para a vereação socialista, na medida em que existem enormes dúvidas sobre a legalidade da aplicação dessa tarifa, que onera as facturas dos consumidores. Os socialistas alertaram para esse facto e pediram esclarecimentos aos SMAS sobre a matéria, para posteriormente tomarem uma posição sobre o assunto. Esta atitude de permanente defesa e garantia dos interesses dos munícipes, foi umas das razões que levou o PS a assumir pelouros. Pelos vistos colide com a interpretação que o Presidente da Câmara de Sintra faz sobre o papel dos vereadores na Câmara Municipal.
Estão portanto ultrapassados os pressupostos políticos que levaram o PS a aceitar os pelouros na autarquia de Sintra? Porquê?
O PS aceitou que os seus vereadores assumissem pelouros na Câmara Municipal, num quadro de respeito pelos muitos milhares de cidadãos que nas últimas eleições autárquicas, em Sintra, votaram no Partido Socialista. Teria sido por ventura mais cómodo não aceitar essas responsabilidades. Essa não é, no entanto, a postura do Partido Socialista. O concelho de Sintra tem enormes problemas estruturais, tendo-se assistido a uma forte degradação das condições sócio económicas do concelho. Para enfrentar estes desafios é preciso mobilizar recursos e encontrar soluções que exigem um amplo consenso político. A Câmara Municipal tem-se revelado incapaz de liderar e protagonizar essa resposta. Num gesto de grande responsabilidade e de enorme humildade democrática o PS decidiu viabilizar uma solução de governo municipal de emergência para que os sintrenses voltassem a ter esperança no futuro do seu concelho.
Qual a análise que faz da gestão camarária de Fernando Seara em Sintra?
A gestão da grande coligação Fernando Seara, PSD, PP, PCP, é claramente marcada pela ausência de um quadro de políticas públicas que assuma uma visão estratégica de desenvolvimento integrado para o concelho de Sintra. Porque se é verdade que houve aspectos positivos, no trabalho da câmara também é verdade que algumas dessas medidas foram conseguidas na sequência da adesão do município a programas governamentais. Esta gestão, casuística, sem rumo nem liderança, foi também, marcada nos últimos 7 anos por uma grande conflitualidade no seio da própria coligação «Mais Sintra». No que diz respeito à tomada de decisões que permitissem afirmar Sintra, no contexto metropolitano e nacional, a prática foi a de adiar e não decidir. Esta atitude tornou Sintra num concelho em clara perda de competitividade, sem capacidade para atrair investimento e sem autoridade. Plenamente consciente desta situação, o Presidente da Câmara tenta agora, apropriar-se das obras realizadas em Sintra pelo Governo do PS, como são o caso do Polis no Cacém, do alargamento do IC 19 (quase concluído), do andamento a bom ritmo das obras do IC 16/IC 30 e das novas estações do Cacém e de Massamá, entre muitas outras.
Nota: entrevista ao Acção Socialista