Haverá Justiça!

A decisão do Tribunal de Sintra de ordenar a ligação da linha Aérea de Muito Alta Tensão Fanhões-Trajouce não prossegue o interesse público, é injusta e não agrada a mim e à grande maioria dos residentes no Concelho de Sintra.
Confesso, porém, que não me surpreendeu por completo. E, garanto, não perdi a disponibilidade, a lucidez e o optimismo para que o desfecho de todo este caso seja o justo e correcto: a desactivação da Linha Aérea de Muito Alta Tensão.
Este Tribunal, já por ocasião da providência cautelar que a Junta de Freguesia de Monte Abraão interpôs, decidiu favoravelmente aos interesses da REN e contra os da população de Sintra. Respeito a(s) decisão(ões) mas discordo totalmente delas. Não vou aqui comentar os seus fundamentos.
O importante, agora, é esclarecer que esta causa não está perdida, que iremos recorrer para o Tribunal Central Administrativo do Sul e que acredito que as famigeradas linhas serão mesmo desactivadas em
definitivo.
Apelo a que não percamos a calma, a lucidez e a convicção de que levaremos a bom porto a nossa posição. Já aquando da providência cautelar, o Tribunal Central Administrativo do Sul contrariou a decisão da primeira instância, dando-nos razão.
Quero também esclarecer algumas declarações que, erradamente, vi citadas em alguns órgãos de comunicação social como sendo minhas. Não me dá qualquer gozo, criar problemas ou arrelias à REN. Não sou autora de atitudes retaliadoras nem de políticas mesquinhas. O que me satisfaz,
efectivamente, é ver que populações de diversos Concelhos e respectivos órgãos autárquicos acordaram para esta questão da maior gravidade para a saúde pública e que não se deixam aquietar numa política de conformismo e subserviência ao poder central/económico.
Queria ainda deixar dois lamentos, aliás repetidos.
O primeiro relativamente ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra. Continua a ter neste processo uma posição pouco clara, equívoca.
Recordo, porque é decisiva em toda esta polémica, a sua omissão em 2003, que negligenciou responsabilidades e permitiu à REN avançar para a edificação da linha aérea.
A segunda para o Governo do meu país, constituído por pessoas do meu Partido: o conveniente silêncio por que tem optado é uma marca negativa no exercício da legislatura. É evidente que a referida linha aérea
ameaça a saúde pública.
É, para mim, também claro que o Executivo não tem vontade política de contrariar a REN, afinal uma empresa de grande envergadura no País.

Estou certa de que o Tribunal Central Administrativo do Sul dar-nos-á razão.

Por isso, confiança e serenidade!

Fátima Campos
Presidente JF Monte Abraão

Publicado no Jornal Actual

Comentar